segunda-feira, 7 de maio de 2007

Skol Beats - um evento morno

O Skol Beats é o maior festival brasileiro de música eletrônica, mas há alguns anos que ele vem perdendo a credibilidade junto ao público que de fato ama música eletrônica não apenas pelo alto custo dos ingressos, mas também pelo evento que já não está lá essas coisas. No ano passado a desorganização foi tão grande, que mesmo com um show fantástico do LCD e Prodigy, o que mais repercutiu foi o "arrastão" que rolou por lá.

Claro que em buscas de novas possibilidades, os organizadores decidiram dividir o evento em dois dias, o que eu achei um tanto megalomaníaco da parte deles e claro, o resultado foi um fiasco. Sexta-feira o Anhembi estava às moscas e na porta era possível comprar ingressos por R$ 20,00 e eu, que até então estava de mãos abanando, ganhei 12 ingressos de última hora, o que fez eu animar os amigos irem até lá para ver o esperado show do MSTRKRFT, que não rolou.

Entendo perfeitamente que qualquer evento possa ter problemas com suas atrações contratadas, mas também acho que o mínimo de respeito é informar ao público que devido a problemas a atração não vem. Na quinta-feira a organização informou que o Costello não tocaria e a essas alturas o problema do MSTRKRFT já estava em voga, já que eles não tinham conseguido o visto e voaram direto para Buenos Aires, onde tocariam no sábado. Na sexta "parece" que eles conseguiram o visto e tentaram voar em vão para o Brasil, mas o aeroporto estava fechado, o que eu não consegui averigual se de fato ocorreu. De qualquer forma, se o aeroporto estava fechado a organização já tinha conhecimento de que eles não viriam, porém em nenhum momento avisou o ocorrido fazendo com que muita gente que foi até o Anhembi ficasse até às 8h da manhã na esperança de que eles entrassem no palco a qualquer momento. Não apareceram e ninguém sequer se deu ao trabalho de informar.

Achei um baita desrespeito, mas se o evento já foi um fiasco sem avisar que eles tocariam, imaginem se estivessem avisado com antecedência? Só eu e meu grupo já não iria até lá. E isso implica em decepção e antipatia pelo festival. Alguns amigos que compraram os ingressos tentaram com a organização o reembolso do dinheiro do ingresso e um rapaz que informou ser o produtor executivo riu da cara de todos dizendo que se estavam indo embora àquela hora é porque estavam curtindo a festa. O que ele não entendeu é que todos tinham ido para lá no final da madrugada apenas para ver o MSTRKRFT. Sei que Nathan Fake, Gui Boratto e Afrika Bambaata levou alguns até o local, mas não era o caso deste grupo. Depois de muita irritação ele pegou o contato de uma amiga e disse que vai resolver o problema. Vamos ver se desta vez vai rolar algum comprometimento, que até o momento foi zero.

Eu também queria ver Afrika Bambaata. O show começou mais ou menos no horário, porém eles levaram meia hora para deixar o som do jeito que queriam, enquanto isso o MC ficou cantarolando com o público, que em 15 minutos começou a deixar o local pela falta de música
e se lançaram em outras tendas, mas também sem muito sucesso. Sei que a grande atração da noite foi o 2020 Soundsystem, que foi bem elogiado por quem assistiu. Com o Bambaata eu curti 40 minutos da apresentação que durou uma hora.

A volta para casa foi frustrante, já que o sol já estava alto e seria um dia perdido tentando recuperar o sono. Antes, porém, meus amigos procuraram a organização do evento para pedir o dinheiro do ingresso de volta, já que tinham ido até lá apenas para ver o MSTRKRFT. O atendimento foi ridículo, pois além de sonegarem informações, ainda tivemos que aguentar o sarcasmo do rapaz, que se apresentou como produtor executivo do Skol Beats, que questionou se o evento tivesse sido ruim porque estaríamos indo embora àquela hora. Será que ele sabia o horário das atrações? Afinal jogaram MSTRKFRT para às 7h da manhã, então se fomos assisti-los por que não estaríamos ali naquela hora? Depois de muita discussão é que ele enfim se mobilizou (antes de dizer "vocês sabem o que aconteceu em Buenos Aires?" e "me livrem dessa"). Não me interessa o que aconteceu em Buenos Aires, me interessa é porque o Skol Beats não informou que eles não tocariam. Agora vamos ver se haverá algum comprometimento no retorno que ele ficou de dar para ressarcir o ingresso dos que compraram.

No sábado metade da turma desistiu de ir. Eu queria muito ver SMD, então me lancei à sorte. Desta vez cheguei cedo, pois queria também assistir a estréia do MixHell num evento maior e ver Crystal Method. Me surpreendi com a performance do MixHell, que fez um set bem agitado e nos presenteou com o Iggor fazendo o que sabe fazer melhor: tocando bateria. A galera foi ao delírio e eu me emocionei! Foi lindo. O set foi recheado de disco-punk e electro que incluiu Justice, Nine Inch Nails, Klaxons, LCD Soundsystem.

Dei uma passada no Laurent Garnier, que estava lotado, mas não fiquei muito. Voltamos para o Stage e o Crystal Method estava entrando. Foi contagiante. Eles tocaram sem banda e fizeram bonito. Tocaram vários hits, entre eles "Smack my bitch" do Prodigy, "Gravity's Rainbow" um remix do Soulwax e fecharam com "Killing in the name" do Rage Against the Machine, que quase levou o chão abaixo.

O show do SMD começou com atraso e o dia já clareava. Eu estava bocejante com a atração anterior e só me animei quando a dupla (fofíssima) entrou no palco. O set foi impecável e claro, tocaram vários de seus remixes como "Windowlicker", do Aphex Twin; "Magick", do Klaxons; "The prime time of your life", do Daft Punk; "Gravity's rainbow"; do Klaxons remixado pelo Soulwax; fizeram uma colagem de várias músicas incluindo "Let's make love", do CSS e suas próprias músicas "Hustler", "We are your friends" (original!!! não tocaram o famoso remix feito pelo Justive, o que eu achei genial) e "I believe".

Eles estavam animadíssimos e o dia amanhecendo, o sol a pino fez o momento ser mais mágico, o que fez valer a pena toda a empreitada.

De qualquer forma, está na hora dos organizadores reverem o festival, porque no formato atual ele não está funcionando. Hoje o que eu considero um modelo perfeito e atual é o Nokia Trends. Talvez seja hora de olhar para o lado e aprender com quem sabe fazer bonito, afinal festivais são sempre bem vindos.

Um comentário:

Celina Carpanedo disse...

Oi Lalai,
Que legal você ter respondido meu comentário do outro dia ;)
Mas vou jogar lenha aqui na sua fogueira.
Além do seu texto, li várias reportagens sobre o Skol Beats, e de maneira geral todo mundo disse o mesmo.
Eu não fui até porque já cansei desses eventos multitudinários exatamente pela falta de organização e estrutura.
Quanto a falta de respeito, o que acontece é que, infelizmente, esse evento é realizado no Brasil. Imagina se a atração principal do Coachella não chegasse? Você acha que o público ia deixar barato?
No way!
Só que das quase 40 mil pessoas que passaram pelos 2 dias de eventos, você e seus amigos devem ter sido os únicos que foram reclamar pelos seus direitos.
E aí o que acontece? O engraçadinho vem com essa de "se ficou até agora é porque gostou".
Por mais que o código de defesa do consumidor nos dê respaldo, nessas horas acabamos morrendo com a grana a amargando a decepção de não ter visto quem nos levou até o evento.
Mas não se encha de esperança quanto a devolução da sua grana, no máxinmo eles vão te dar um vale-breja pro próximo Skol Beats.
blergh!
Aproveite o espaço e seus contatos na noite e arrebenta com a organização do evento.